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O cão-sistema coça as crises com várias patasAlceu A. Sperança

É difícil explicar a governança global às pessoas que só se informam pela TV. Elas acreditam que há uma disputa verdadeira entre os candidatos que, financiados pelo grande poder econômico, aparecem na ponta das “pesquisas”.

Não compreendem que ocorre apenas a disputa entre as quatro patas do cão para ver qual delas vai dar a coçada. O “cão” sistema é o dono de todas as patas. Por mais que elas se alternem na hora de coçar, pertencem ao mesmo dono.

Os controladores globais utilizam diferentes partidos (“da ordem”) para evitar que o povo organize suas coisas por si mesmo. Cada batalhão (ou pata do “cão”) exibe uma cara, sigla, desenhos e cores próprias para parecer diferente.

Imagine o Partido do Alimento (PDA). Seu princípio político será: “A solução é comer. Com todo mundo comendo não será preciso reclamar de nada”.

Seu suposto adversário, o Partido da Água de Beber (PAB) dirá: “A solução está em matar a sede. Todos bebendo, ficarão felizes e não precisarão se queixar”.

Na verdade, esses dois “partidos” são a mesma coisa: eles se apegam a elementos necessários à vida para ocultar sua verdadeira intenção, que é manipular o povo de forma que ele não se rebele contra as injustiças do sistema de exploração do trabalho humano.

Quando alguém insiste muito em que “educação é a solução”, ocorre o mesmo. Pretende uma educação que forme mão-de-obra melhor qualificada, cérebros a serviço da acumulação do capital.

Tão enganoso é alguém defender que o “verde é a solução”, manobra que propõe um capitalismo ético, uma coisa impossível. Há um jogo sem ética alguma que se forma ao redor do poder do dinheiro, que pinga sangue, como dizia Marx, por todos os poros.

Uma estranha verdura

O “verde” prega um capitalismo cheiroso, limpinho e respeitador da Mãe Natureza. No entanto, a acumulação do capital se faz com a exploração impiedosa da natureza e do principal filho dela: o ser humano que trabalha.

Há também os sistemas de governo, que seriam as orelhas do cão. Na orelha-parlamentarismo do tipo europeu, empurra-se com a barriga até a crise tomar conta e então eleger um novo parlamento.

Mas no Brasil a orelha está inflamada, pois é ainda é pior: os governantes via de regra são eleitos pelos mesmos interesses, por mais que a figura do novo governante pareça diferente ou se finja oposição à figura anterior.

Os que mandam hoje no Brasil são os mesmos que mandavam nos tempos da ditadura empresarial-militar. Eike Batista é filho de um ex-ministro do Jango. Os que enriqueceram na ditadura são hoje os grandes atores da cena brasileira.

O presidencialismo brasileiro é apenas uma reedição do Império. Às vezes o presidente tem a cara de Pedro I, autoritário, dando tiros no povo, como nos tempos ditatoriais. Outras vezes tem a face bonachona de Pedro II, com seu “poder moderador”, engolindo críticas, como FHC e Lula. Pai e filho, mas sempre imperadores.

O presidente, nesse modelo, é sempre chefe de Estado, de governo e dono do Partido dominante. Mesmo com uma constituição vigente, na prática é um ditador. Assim foi Washington Luís, Vargas e todos os outros.

Enquanto as pessoas não percebem como são governadas, o mesmo cachorro vai coçando suas crises ora com esta, ora com outra pata, em alternância.

O povo, quando não se deixar mais levar pelos partidos “da ordem”, vai se livrar desse cão e suas coceiras/crises pegando o dragão da maldade numa unhada só. Quando? Espere a coceira virar carne viva e verá.

alceusperanca@ig.com.br

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O autor é escritor

Oscar Silva recebe homenagem do prefeito de Toledo, Albino Corazza, e do vereador comunista Luiz Carlos Schroeder

Em 16 de janeiro de 1915 nascia, em Santana do Ipanema (AL), o camarada Oscar Silva. O filho Pitágoras, com uma longa folha de serviços prestados ao jornalismo e à educação, faz um comentário sobre a influência do Velho Guerreiro Oscar Silva em sua família:

Oscar Silva deixou um grande legado

Por: Pitágoras da Silva Barros

Eu sou o cara mais suspeito para falar sobre o “velho guerreiro” Oscar Silva, porque além de ser seu filho, o tinha como mestre, amigo e companheiro. Eu ainda o amo, mesmo ele não estando mais entre nós.

Quem teve a grata satisfação e experiência de conhecê-lo também tem um resquício do que afirmo: meu pai era extremamente inteligente e sábio. Por reconhecerem isso, nominaram o Centro Cultural com o seu nome.

Mas tomando as rédeas do assunto principal, digo que ele deixou um grande legado para este mundo através de seus livros, de sua ação sócio-comunitária, de sua grandeza espiritual e dos filhos, netos e bisnetos que estão soltos por aí. E eu sou o mais humilde e pequeno dentre eles. Meus irmãos estão na dianteira, a começar pelo Sócrates; e tenho orgulho de todos eles.

Agora mesmo fui surpreendido por mais um “cabeça chata” que se destaca. É o bisneto gêmeo, Giovani Samuel Carletto Barros, o MUCA, filho do Luciano e meu neto.

O Muca tem somente 11 anos, e conforme a matéria que está estampada na página 9 da edição do Jornal do Oeste de quinta-feira, dia 16 de dezembro de 2010, acaba de ganhar a etapa regional do Concurso Internacional de Cartaz sobre a paz, do Lions Clube Internacional, com grande chance de ganhar ainda a etapa nacional e internacional, mercê do belo trabalho que brotou de seu coração de criança.

Estamos todos muito orgulhosos dele, mas principalmente cientes de que ele é fruto da boa árvore que foi nosso pai. E o bom fruto também não cai longe do pé onde foi brotado.

Certa vez, estupidamente como todo homem que se preocupa com os tesouros acumulados no mundo, inquiri meu pai sobre qual seria a herança financeira que ele deixaria para nós. Ele sabiamente me respondeu que o tesouro maior que deixaria para todos nós seria uma boa educação e seu exemplo de vida íntegra, dedicada à família e idônea. Confesso que fiquei muito frustrado, pois almejava ouro e prata; mas hoje entendo que seu legado foi o melhor que pudemos ter. E isso é bíblico.

Tomara que possa você, meu paciente leitor, também se ufanar disso. Ter o mesmo respeito, admiração e amor pelo legado de seu pai.

O meu foi perfeito!

Matar gaúchos para adubar a terra

Alceu A. Sperança

Há quem estranhe Lula se eleger com bandeiras sociais mas seguir a cartilha neoliberal. Que Obama se fingiu de “socialista” na campanha e agora faz coisas bushianas, como as bases americanas na Colômbia e o desembarque dos marines na Costa Rica.

Não há o que estranhar, pois muitos governantes pelo mundo afora obedecem à governança global das grandes corporações industriais e financeiras. Isso não é coisa nova. Apenas é mais perceptível neste momento em que as pessoas se informam mais e percebem que as crises são provocadas para enriquecer os mais ricos e eliminar os mais pobres, aqueles que não sejam capazes de lhes gerar riqueza. Doenças novas, estrutura de saúde falida e preços altos ajudam muito!

O imperador d. Pedro II e o engenheiro André Rebouças, figura que deveria ser amada pelos paranaenses, costumavam trocar ideias sobre o que fazer com o Brasil. Uma dessas conversas foi sobre o futuro dos escravos libertos.

Rebouças piou na orelha do monarca a proposta de criar uma espécie de “Homestead Act”, lei americana de 1862 que garantia 65 hectares a qualquer pessoa apta a ocupar e cultivar a terra por cinco anos. Uma reforma agrária divina: o governo americano, entendendo que toda a terra é do povo, decidiu que cada chefe de família deveria ter direito a um lar e a um pedaço de terra, impossível de ser tomado mesmo em pagamento de dívidas anteriores.

Pela proposta do nosso prezado Rebouças, o governo assentaria os trabalhadores, agora não mais escravos, em lotes às margens das ferrovias. D. Pedro II gostou da ideia, mas o que ele afinal fez foi dar essas terras laterais às ferrovias aos seus barões, hoje tubarões. Toda boa terra ficou, tanto em 1850, com a Lei de Terras, quanto após a Guerra do Paraguai (1870) e a “libertação” dos escravos (1888), para os já proprietários de terras.

Seria esperar muito que um imperador associado aos grandes interesses econômicos (na época, os barões do café), fosse dar aos pobres e escravos recém libertos terras que depois iriam se valorizar com a passagem das ferrovias… Com isso, a ideia genial de Rebouças em favor do povo brasileiro foi encampada pelos grandes interesses que controlavam o imperador, enriquecendo ainda mais os já ricos.

Assim tem funcionado a governança mundial: qualquer boa ideia que você tenha vai dar mais lucro para eles que para você. Por isso a fantástica proposta de repartir a terra e promover a Reforma Agrária ainda no século XIX deu em mais latifúndio, mais pobreza, mais exclusão, tendo consequências ainda hoje visíveis no País.

Um exemplo dessa governança global sobre as cabeças coroadas e os manda-chuvinhas daqui se deu ainda antes da macabra Guerra do Paraguai, quando Domingo Sarmiento recomendou a Mitre derramar furiosamente o sangue dos gaúchos, “a única coisa que eles têm de humano”, para servir de adubo.

Nem pensar em gaúchos transformando a Argentina em uma terra de produtores. A ordem era comprar tudo da Europa em troca das riquezas naturais sul-americanas. Os gaúchos, em sua ânsia de trabalhar, eram demônios desumanos. Seu sangue deveria ser derramado sobre a terra em que nasceram, para que Londres pudesse empinar ainda mais o nariz e se vangloriar de “sua” riqueza afanada.

Aquela City (Londres) hoje está diluída no planeta, como a britânica mancha de óleo que se esparrama por águas americanas. E os gaúchos cujo sangue Sarmiento queria usar como adubo hoje são todos os povos do planeta.

alceusperanca@ig.com.br

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O autor é escritor

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4 respostas para Artigos

  1. Pingback: Tweets that mention Artigos | PCBcascavel -- Topsy.com

  2. PCB Guarulhos disse:

    Muito bons seus artigos camarada, começarei a publicá-los no blog de Guarulhos.
    Abraços revolucionários.
    Viva o Partidão !

  3. Gostaria de receber artigos desses que acabo de ler e, notícias também. Muito agradecido. Aristóteles (Toledo – Paraná)

  4. Aristóteles Barros da Silva disse:

    Gostaria de receber artigos como esses que acabo de ler. Muito agradecido! Aristóteles.

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