Poesia Revolucionária

Quando e por que nascemos

Aos 90 anos do PCB (1922-2012)

Não sei quantos anos temos.

Sei que festejamos hoje 90 anos

porque nascemos em 1922.

Mas, talvez tenha sido antes,

talvez tenhamos nascido em 1917

quando os trabalhadores russos

iniciaram a construção do futuro,

ou foi em 1919 quando na Internacional

sonhamos sonhos planetários.

Talvez tenha sido antes ainda.

Em 1871, na Paris Revolucionária da Comuna

ou em 1848, quando os trabalhadores

levantaram-se para falar com sua própria voz.

Não sei, mas talvez tenha sido antes.

Quando dois alemães se encontraram

e viram o mundo através de nossos olhos

nos mostrando o caminho da emancipação.

Mas talvez não.

Talvez tenha sido há muito mais tempo:

quando um trabalhador

olhou para suas mãos

e percebeu que não eram mais suas mãos.

Quando olhou para seus pés e viu

que a terra não era mais a sua terra.

Não sei, mas acredito que foi ali que nascemos.

Talvez por isso é que nascemos.

Talvez por isso vivemos tanto tempo.

Talvez por isso resistimos.

Talvez por isso estejamos aqui hoje

para dizer aos trabalhadores:

_ Olha, esta são suas mãos,

são seus os produtos do trabalho.

_ Olha, esta é tua terra,

são nossos seus frutos.

_ Coragem, levanta a cabeça e veja:

olha este sol que se insinua

por trás das nuvens que o escondia.

Não há noite tão longa que derrote o dia.

Veja como tinge de vermelho o universo.

_ Levanta tua mão, camarada, assim…

agora fecha o punho, isso…

Lembra como era aquela canção?

Coragem, vocês nunca estarão sozinhos

Porque aqui estamos camaradas.

Por isso nascemos.

Por isso lutamos tanto.

Por isso sobrevivemos.

É por vocês camaradas

que fomos, que somos, que seremos

sempre

Comunistas!

 

Mauro Iasi

março de 2012

Mauro Iasi

As hienas foram acordadas…

Chico que não era o Chico da venda, nem o Chico da Farmácia, nem também o Chico da música, nem o Chico da borracharia, se bem que esse Chico defendia a seringueira, era o Chico do verde, ficou mudo de repente.

José que não tinha nada a ver com a Bíblia e também nada com o José da Alencar, ficou mudo de repente.

Maria que não foi a mãe de Jesus embora tivesse  no sobrenome Espirito Santo, que não era também a Maria das dores, ficou muda de repente.

Erenilton cujo nome não é tão lembrado, ficou mudo de repente.

Adelino que nunca foi deputado e levava o sobrenome de Ramos não verá os próximos domingos de ramos, ficou mudo de repente.

Apenas os sinos do novo Código Florestal… eclodiram em toda a Amazônia como se fosse dada a largada, fosse acionada a contagem e dada a ordem sigilosa.

…como as piranhas imóveis que ficam nas beiras dos rios esperando a travessia da boiada nos pantanais…

Dizem que nestas horas se joga um boi velho para passar a boiada inteira, enquanto as piranhas devoram o boi velho,

(agora entendo porque dizem que Jesus foi crucificado para salvar a humanidade) mas bois e animais ainda tem certos respeitos nestas longínquas terras, onde o destino de um homem vale menos que a água que bebe, vale menos que um sanguessuga.

Ainda mais se tiveres a ousadia de dizer “Salvem o planeta, salvando o verde”.

Os sinos dobram, num prelúdio agourento de morte, de mortes descabidas sem sentido, sem lógica e sem nexo nenhum apenas porque ouviram os sinos da covardia, da maldade e principalmente de milhares de surdos que deviam ouvir e não agitarem os badalos dos sinos.

E com todo esses estardalhaços as hienas acordaram e agora sorridentes estão na espreita, na surdina em qualquer lugar esperando a noite chegar, esperando nas encruzilhadas.

…e riem, riem de tudo e de todos. Os sinos deram uma ordem.

…ouçam os sinos, o mundo está ouvindo, enquanto as lágrimas e o sangue umedecem o chão da Amazônia, escutem, só os surdos não podem ouvir.

Você pode, eu posso, muitos podem…

(Miguel Joaquim das Neves)  

Vale a pena viver, quando se é comunista

(Dedicado a Antonio Gramsci)

Quando a noite parece eterna

e o frio nos quebra a alma.

Quando a vida se perde por nada

e o futuro não passa de uma promessa.

Nos perguntamos: vale a pena?

Quando a classe parece morta

e a luta é só uma lembrança.

Quando os amigos e as amigas se vão

e os abraços se fazem distância.

Nos perguntamos: Vale a pena?

Quando a história se torna farsa

e outubro não é mais que um mês.

Quando a memória já nos falta

e maio se transforma em festa.

Nos perguntamos: vale a pena?

Mas, quando entre camaradas nos encontramos

e ousamos sonhar futuros.

Quando a teoria nos aclara a vista

e com o povo, ombro a ombro, marchamos.

Respondemos: vale a pena viver,

quando se é comunista.

(Mauro Iasi)

)

Galinha Morta

Uma galinha não cresce
cronologicamente:
não cresce como um
cão, uma planta, uma
plantação: chuva.
Uma galinha não cresce;
projetada
como uma locomotiva.
Tudo nela é combustão:
aceso fogo dentro da noite:
álcool.

Minerais,
ouro e lírios estancam-se
em suas plumas: plumagem
avessa à agua.

Planejadas suas aptidões:
ciscar, correr, deitar: ovo
planeta esférico,
líquida vida a borbulhar
à temperatura do sono:
engrenagem.

Caminha,
fundindo metais
no chão: esquece seu
passo: trava,
carcaça de aço,
olhos esmerilados:
trava,
enguiça como um automóvel,
(um avião
está sujeito a isso):
corpo fechado
que implode.

São psicológicas as atribuições
de uma galinha,
mas não há medo da morte:
antes, parece
esperá-la,
dançar sobre a vida: uma
galinha não luta
contra a morte,
não estende seu temor.

Deita (não
cai) dentro dos ossos
a voz de vôo se apaga
não mais se escutará
um grito
romper
a conversa na cozinha, o barulho
da panela de pressão: não mais:
ar carcomido decompõe ossos:
penas, pés.

**

(Marcelo Silveira)

Estamos fartos!

Fartos de lançamentos de carros novos

De celulares com mais 10 funções inéditas
que nunca utilizaremos

Fartos de nos dizerem
O que devemos usar
o que devemos dizer
o que devemos sentir

Fartos de propagandas vazias
Com cachorros pra criar empatia
Ou mulher bonita pra vender a cerveja

Fartos de noticias banais
Sobre a vida idiota
De exibicionistas narcisos

Fartos de fatos imprecisos
Criados, manipulados
E vendidos

Fartos do discurso falso
De indústria verde
De criação de empregos
Da ditadura da economia

Fartos de tanta violência simbólica
Da violência física e psicológica
Dos que sugam a mais-valia

Fartos de criar expectativas falsas
Das falas demagogas
Em nome de uma pseudo- democracia

Estamos fartos de ofertas e lançamentos
Dos mercadores de almas

De programas de domingo
Vomitando baixo entretenimento

Fartos de ver a fartura em poucas mãos
Sendo que ela foi construída por muitos

Alguém, por favor,
Queira criar alguma coisa nova
Uma coisa outra

Que nos devolva um pouco de respiração
Nos deixe cultivar um pouco de sossego na alma
e faça brotar alguma poesia
Enquanto aprendemos o silêncio!

(Jeferson Kaibers)

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